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Por que eu fiz um app de finanças que não consegue ler os seus dados

Reinaldo, fundador do Agendana 5 min de leitura
Uma fatura de exemplo virando gráfico na tela do KontrolFy.
Uma fatura de exemplo virando gráfico na tela do app.

Hoje o KontrolFy abre a lista de espera. Antes de falar do que ele faz, quero contar como ele nasceu, porque o motivo explica quase todas as decisões que vieram depois.

Começou com duas planilhas

Durante muito tempo, as finanças do salão e as de casa viveram em duas planilhas: uma com a contabilidade do salão, outra com as despesas particulares. Todo mês era o mesmo ritual. Baixar o extrato, copiar linha por linha, descobrir que uma compra do salão tinha ido no cartão pessoal, corrigir, e perder a conta de qual boleto já tinha sido pago.

Planilha funciona até o dia em que você precisa dela com pressa. Eu queria uma coisa simples: mandar o extrato e a fatura e receber o mês organizado. Contas a pagar que viram pagas quando o dinheiro sai da conta. O salão separado da casa, sem eu ter que lembrar de separar.

Sei que misturar as contas do negócio com as de casa não é uma boa prática, e para a contabilidade não é o correto. O certo é cada um ter a própria conta e o próprio cartão. Mas na vida real de quem toca um negócio pequeno isso acontece, e eu queria uma ferramenta pronta para essa realidade: cada conta e cada cartão pertencem a uma entidade, e o dinheiro que passa do salão para casa aparece como retirada; o que vai de casa para o salão aparece como aporte.

O preço dos apps que já existem

Existem apps que fazem parte disso. Quase todos cobram a mesma coisa em troca: que a sua vida financeira inteira fique num servidor que eles leem. Alguns pedem a senha do banco. Outros mandam os seus extratos para uma IA para categorizar melhor.

Eu não queria isso para mim. E quando comecei a pensar em oferecer a ferramenta para os salões que usam o Agendana, ficou claro que não queria isso para ninguém. Um extrato conta quem você paga, onde você come, quanto você ganha e com quem divide a vida. Depois do prontuário médico, é o documento mais íntimo que a gente tem.

A pergunta passou a ser outra: dá para ter a automação sem entregar os dados?

O celular é o sistema

A resposta foi inverter o desenho de sempre. No KontrolFy, o banco de dados mora no seu celular. A leitura dos extratos, a conferência das contas e os gráficos rodam ali. O app é instalado pelo navegador, sem loja, e funciona mesmo sem internet.

O servidor continua existindo, com outro papel: ele guarda um cofre. A cada alteração, o celular cifra uma cópia com uma chave que nasce da sua senha, dentro do aparelho, e manda só os bytes. O cofre, o serviço que guarda esses bytes, não tem a chave e não tem acesso à internet por conta própria. Quem copiar o disco leva ruído. Se eu quiser olhar, também vejo ruído. É por esse cofre que o notebook e o tablet sincronizam, e é por ele que você recupera tudo se perder o celular.

Eu não prometo que não vou olhar os seus dados. Eu construí de um jeito que eu não consigo.

Essa proteção tem um limite, e prefiro que você saiba por mim. Como todo app web com criptografia de ponta a ponta, o código do KontrolFy chega pelo nosso servidor. A garantia vale para tudo o que fica guardado, e depende de o código entregue ser o nosso, sem alteração.

E a IA?

Cada banco inventa o seu formato de extrato. O OFX é padronizado e o KontrolFy lê sem ajuda de ninguém, por isso é o formato que eu recomendo sempre que o banco oferece. O PDF é outra história: cada banco monta o seu, e muitos vêm trancados com os dígitos do CPF.

Quando aparece o PDF de um banco que o app ainda não conhece, a IA ajuda a aprender o formato. Mas ela não vê o extrato. Ela recebe só a forma do documento: sem valores, datas, nomes ou números. Sobra só o desenho das linhas. Antes de enviar, o app mostra na tela exatamente esse texto e pergunta se pode. Nenhum nome sai, nem de pessoa nem de loja. Depois que o formato é aprendido, aquele banco passa a ser lido no próprio celular, sem mandar mais nada.

O que ele faz hoje

  • Lê extratos em OFX e em PDF, inclusive os protegidos pelo CPF, e não duplica o que você importar duas vezes.
  • Lê faturas de cartão, com a parcela de cada compra parcelada.
  • Lê boletos e comprovantes. O boleto vira conta a pagar; o comprovante fica guardado junto dela.
  • Confere as contas a pagar contra o extrato. A conta fica paga quando o dinheiro saiu de verdade.
  • Lê contratos com parcelas, liga cada uma à fatura e avisa antes de vencer.
  • Separa entidades, como o salão e a casa, cada uma com o próprio mês.
  • Sincroniza entre aparelhos pelo cofre cifrado e, se você quiser, só abre com Face ID ou digital.

Quanto custa

R$ 10 por mês. Não existe plano grátis, e isso foi pensado. Um app de finanças gratuito precisa ganhar dinheiro de algum outro jeito, e o jeito mais comum passa pelos seus dados. Aqui essa porta não existe, nem se eu quisesse abrir.

Para quem usa o Agendana, o KontrolFy vem incluído no pacote, sem pagar nada a mais. Faz sentido para mim: quem organiza a agenda do salão também precisa saber quanto o salão deixou de verdade no fim do mês, e quanto foi para casa.

O que vem a seguir

A próxima peça é ler foto de extrato. Muita gente recebe o extrato como imagem, ou fotografa o papel do banco. A ideia é reconhecer o texto no próprio celular e conferir o resultado com as mesmas contas que o app já faz hoje, como o saldo final ter que bater. Depois disso, quero que cada vez mais documentos sejam lidos sem pergunta nenhuma.

Se isso faz sentido para você, entre na lista. Vou abrir as vagas aos poucos, para acompanhar de perto quem começa agora.

Reinaldo
Fundador do Agendana e do KontrolFy